quinta-feira, 22 de junho de 2017

Gritar o teu nome em silêncio com tanta raiva que as veias que vagueiam para que nos vejamos e nos ouçamos se destruam. Gritar o teu nome com tanto amor em tanta potência para descobrir que me escorres das veias. Dos poros. De cada orifício sublime que me percorre. Gritar para descobrir que tenho silêncio (ou o sou). Que reprime. Que imprime. Que empurra. Que puxa. Que esmaga. Que tanto tenta soletrar o que não consegue.  Gritar para descobrir que há um silêncio potente e impotente dentro de que sou. Ao mesmo tempo que impludo. Ao mesmo tempo que ninguém vê a minha explosão. Sou só eu. E o que sobra. Que é tanto e não tem peso. Que não tenta e consegue. Que tenta não conseguir. Existem marés que navegam menos fortes. Terramotos que vibram menos intensamente. Trovoadas que fazem menos barulho e nem conhecem o silêncio. Que força é esta que vive dentro de nós. Que berros são estes que me dão a conhecer quem sou. Que silêncio é este que faz com que oiça a minha voz.

Há terramotos menos intensos.
Trovoadas menos barulhentas.
Marés menos fortes.

Haverá alguém capaz de sentir a densidade da sua força... Haverá alguém destinado a ser quem é.... Existirei eu por ter conhecido o que fui? 



segunda-feira, 29 de maio de 2017



Do que mais mais tenho saudades é da tua voz. Do som da tua voz. Da sua harmonia. Da paz que dava. Da esperança, da força e da sorte que dava.
Do que mais tenho medo é de um dia não conseguir escutá-la. Por entre todos os silêncios em que me enches a alma de cor.

domingo, 28 de maio de 2017

Lembrei-me das vezes em que te protegia. Ou pelo menos tentava.

Não conseguimos ver o que vem a seguir. Mas sabia-mo-lo bem: quando ele (não)chegava a casa. Passado este tempo todo sei-o na mesma, ainda o sinto na mesma forma. Pequenina. Com coragem, mas sem voz. Prometo, prometer-te-ia a vida toda: que se tivesse o tamanho da minha voz agora, que estarias protegida. Não só mentalmente. Que tudo o que eras seria o que as minhas barreiras escondem e enaltecem sobre ti. Às vezes pergunto-me porque não usaste a força que me ensinas-te a usar - eu sei que ela veio de ti. Porque não tentaste ser feliz como me ensinas-te a ser - eu sei que veio tudo de ti. O porquê de não acreditares que a nossa vida ia ser melhor sem ele. Quando não jantava em casa. Quando vivíamos no escuro. Na escuro da incerteza de saber o que esperar. Na poeira da realidade desfocada. 
-Proteger-te-ia. Com tanta força que ficaríamos bem o resto da vida. 
Agora, já passaram doze anos. Da tua morte. Já morreste mais anos do que aqueles que viveste na minha vida (sabes que o vives a todo o tempo). Mais do que o tempo em que pude abraçar a tenacidade dos nossos momentos. Mais do que o tempo em que me penteavas o cabelo e sorrias para o brilho que reflectia no meu olhar. No espelho do meu coração. (Dessa saudade fica a força com que queria que todo esse tempo fosse todo o nosso tempo.) Jurar-te-ia que não te deixaria sofrer. Como sei que o fazias comigo. Passado doze anos lembrei-me de como era tão pequenina e te queria tanto proteger. Já foste embora à tanto tempo.
-Porque é que a vida não esperou para que eu ganhasse voz para te proteger.
Como é que é possível perdoar a mesma vida que te retirou da minha. Do meu espaço. Que te levou sem te deixar proteger. Tento perceber ao mesmo tempo porque não saltaste fora do cerco. Esse que espezinhava o que eras. (Como é possível espezinharem algo tão bonito e poderoso). Eras tão bonita e poderosa. 
Perdoa-me ter sido pequenina. Obrigada, da mesma forma, por teres amado a pequenina da maneira mais intensa que alguém consegue amar alguém e me teres dado o que sou. 
Já partiste à mais tempo do que aquele em que viveste comigo. Como é que o tempo pode passar assim. Quem me dera poder voltar para ser a borboleta que te desse asas. Quem me dera o meu amor ter sido o suficiente para parar com o teu sofrimento. 
Houvessem palavras para descrever a dor que sinto... Houvessem palavras que demonstrassem a força com que não sei perdoar a vida que te roubou.

Houvessem momentos em que conseguisse-mos roubar o tempo à vida e mudá-lo. Fazer-te-ia a mulher mais bonita e capaz do mundo.

Hoje lembrei-me do que nunca me tinha lembrado: nunca dormias sozinha quando ele (não)chegava a casa.
Mas depois chegava.


quinta-feira, 30 de março de 2017

A lei intrínseca do amor


Não se ama como se se fosse perder. 
Ama-se como se se fosse ganhar.
 (Mais vida, mais amor, mais força, mais sorrisos, mais tudo um bocadinho do que há de bom e faz bem em nós.)

sexta-feira, 24 de março de 2017

As viagens dos nossos sonhos

Encostas-me a mão. A tua pele deitada na minha. Os teus sonhos estendidos nos meus. Às vezes juro que parecem os mesmos. Mas quando se ouvem são tão diferentes. Continuo a jurar que desenhamos o mesmo caminho. Mas experienciamos tantas coisas desiguais. Continuamos. Intensos. Desejosos de uma vida embrenhada no que somos, juntos e separados. Numa vida que une o que somos, juntos e separados. Mesmo sabendo que nunca o estamos, despegados. Encostas-me o corpo. Dormindo nos tecidos de que sou feita, alimentando aquilo que se vai destruindo com a erosão da vida. Adormeces. Num sono tão lento e tão fugaz que imprimes em mim a sensação de que não há nada lá fora. Que cá dentro somos feitos da paixão que vive nas veias que temos. Essas que cheiram a algo que não sei senão algo que sei tão bem. Olho-te, de olhos fechados. Sinto-te, às vezes sem precisar tocar-te. Abraço-te, por entre as palavras que sussurro no teu ouvido. Dormes. Mas parece que me ouves tão bem. Abraças-me, mas juro que não chegaste a acordar. Às vezes, estar aqui faz-me estar em todo o lado. Sempre me disseste que viajaríamos muito, acho que não sabias era o quão tinhas razão. Continuas a dormir. Há algo na forma como dormes que me agarra. Me desperta os sentidos. Me faz querer-te cem mil vezes mais...

Encostas-me a mão. 
A tua pele deitada na minha. 
Os teus sonhos estendidos nos meus.
Jurava-te que ficava aqui,

para sempre,
eternamente.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A coragem de sermos quem somos

Aprendi com os infinitos dias que a vida me deu que uma das coisas mais interessantes na nossa passagem na Terra é a de não termos medo de a viver como queremos. E mais interessante do que isso, termos coragem de não ter medo. Porque é difícil não o ter, e acho que concordam comigo. E ainda mais interessante do que tudo isto: termos vontade de não o ter. Vontade de sair das presas que nos cercam. Vontade de ter cada dia que passa mais coragem. Mais amor próprio. Mais amizade para com o que somos. Termos vontade de seguir até mesmo as montanhas mais altas e espinhosas, uma das alegrias maiores que podemos dar à nossa alma. Ao nosso espírito. A cada célula do nosso corpo que pede, eternamente, para ser livre e leve como as asas de alguém que voa. Aprendi... Ou vou aprendendo que todos os dias são dias para ganharmos coragem. Para agarrarmos a vontade que está sempre à nossa espera. Coragem de nos apercebermos que aquilo que somos aprendemos com o que sentimos. Não ter medo de dar uma folga a nós mesmos. Essas preciosas pétalas que fazem com que os turbilhões que passamos se acalmem e que a vida comece a ter sentido outra vez. Que não faz mal falhar. Que não faz mal não estarmos bem quando toda a gente espera exactamente o contrário. Que não faz mal desiludir-mo-nos... Pois é no chão, no vazio do mundo, que ganhamos coragem e vontade de sair de um mundo que é demasiado escuro para nós. Amar-mo-nos é o segredo para termos todas estas grandiosidades que estão ao nosso alcance. Aprendo... Ou vou aprendendo à medida que cresço que gostar de mim faz com que a altura dos meus desejos e das minhas conquistas cresça para uma dimensão onde é impossível o seu dimensionamento. E ter a noção de que isso nos acontece é a paz mais reconfortante que o nosso coração pode ter. Que a nossa calma pode desejar. Ter coragem é saber lidar com todo o tipo de aventuras e desgastes emocionais. Ter coragem é não ter medo. De seguir... De mexer as pernas. De abanar a árvore das vitórias. Aprendi e sei que vou aprendendo que os dias podem ser infinitos ou tão curtos ao mesmo tempo. E que tanto os primeiros como os segundos podem ser igualmente confortantes. Aprendi que sermos amigos de nós próprios muda todas as perspectivas de jogo que alguma vez pensamos ter. E que sabe bem ter vontade... De sermos mais. De ter um futuro melhor. De saber que o medo está abaixo do que somos mas é a coragem quem reina nas asas que poderão voar em nós. Aprendi... Ou vou aprendendo que o essencial está no espelho em que, todos os dias, olhamos para nós. No espelho do que somos. Do que queremos ser. O melhor de aprendermos a gostar de nós é o tempo. A idade. A maturidade. E vou aprendendo que todos os dias sou mais um bocadinho bonita. Que todos os dias saberá bem sair à rua. Com coragem. Com vontade... De não ter medo... Porque ter coragem é não ter medo. De seguir... De mexer as pernas. De abanar a árvore das vitórias...

Até Já

A minha foto
Amor, saudade, dor, ausência, paixão...