quinta-feira, 30 de março de 2017

A lei intrínseca do amor


Não se ama como se se fosse perder. 
Ama-se como se se fosse ganhar.
 (Mais vida, mais amor, mais força, mais sorrisos, mais tudo um bocadinho do que há de bom e faz bem em nós.)

sexta-feira, 24 de março de 2017

As viagens dos nossos sonhos

Encostas-me a mão. A tua pele deitada na minha. Os teus sonhos estendidos nos meus. Às vezes juro que parecem os mesmos. Mas quando se ouvem são tão diferentes. Continuo a jurar que desenhamos o mesmo caminho. Mas experienciamos tantas coisas desiguais. Continuamos. Intensos. Desejosos de uma vida embrenhada no que somos, juntos e separados. Numa vida que une o que somos, juntos e separados. Mesmo sabendo que nunca o estamos, despegados. Encostas-me o corpo. Dormindo nos tecidos de que sou feita, alimentando aquilo que se vai destruindo com a erosão da vida. Adormeces. Num sono tão lento e tão fugaz que imprimes em mim a sensação de que não há nada lá fora. Que cá dentro somos feitos da paixão que vive nas veias que temos. Essas que cheiram a algo que não sei senão algo que sei tão bem. Olho-te, de olhos fechados. Sinto-te, às vezes sem precisar tocar-te. Abraço-te, por entre as palavras que sussurro no teu ouvido. Dormes. Mas parece que me ouves tão bem. Abraças-me, mas juro que não chegaste a acordar. Às vezes, estar aqui faz-me estar em todo o lado. Sempre me disseste que viajaríamos muito, acho que não sabias era o quão tinhas razão. Continuas a dormir. Há algo na forma como dormes que me agarra. Me desperta os sentidos. Me faz querer-te cem mil vezes mais...

Encostas-me a mão. 
A tua pele deitada na minha. 
Os teus sonhos estendidos nos meus.
Jurava-te que ficava aqui,

para sempre,
eternamente.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A coragem de sermos quem somos

Aprendi com os infinitos dias que a vida me deu que uma das coisas mais interessantes na nossa passagem na Terra é a de não termos medo de a viver como queremos. E mais interessante do que isso, termos coragem de não ter medo. Porque é difícil não o ter, e acho que concordam comigo. E ainda mais interessante do que tudo isto: termos vontade de não o ter. Vontade de sair das presas que nos cercam. Vontade de ter cada dia que passa mais coragem. Mais amor próprio. Mais amizade para com o que somos. Termos vontade de seguir até mesmo as montanhas mais altas e espinhosas, uma das alegrias maiores que podemos dar à nossa alma. Ao nosso espírito. A cada célula do nosso corpo que pede, eternamente, para ser livre e leve como as asas de alguém que voa. Aprendi... Ou vou aprendendo que todos os dias são dias para ganharmos coragem. Para agarrarmos a vontade que está sempre à nossa espera. Coragem de nos apercebermos que aquilo que somos aprendemos com o que sentimos. Não ter medo de dar uma folga a nós mesmos. Essas preciosas pétalas que fazem com que os turbilhões que passamos se acalmem e que a vida comece a ter sentido outra vez. Que não faz mal falhar. Que não faz mal não estarmos bem quando toda a gente espera exactamente o contrário. Que não faz mal desiludir-mo-nos... Pois é no chão, no vazio do mundo, que ganhamos coragem e vontade de sair de um mundo que é demasiado escuro para nós. Amar-mo-nos é o segredo para termos todas estas grandiosidades que estão ao nosso alcance. Aprendo... Ou vou aprendendo à medida que cresço que gostar de mim faz com que a altura dos meus desejos e das minhas conquistas cresça para uma dimensão onde é impossível o seu dimensionamento. E ter a noção de que isso nos acontece é a paz mais reconfortante que o nosso coração pode ter. Que a nossa calma pode desejar. Ter coragem é saber lidar com todo o tipo de aventuras e desgastes emocionais. Ter coragem é não ter medo. De seguir... De mexer as pernas. De abanar a árvore das vitórias. Aprendi e sei que vou aprendendo que os dias podem ser infinitos ou tão curtos ao mesmo tempo. E que tanto os primeiros como os segundos podem ser igualmente confortantes. Aprendi que sermos amigos de nós próprios muda todas as perspectivas de jogo que alguma vez pensamos ter. E que sabe bem ter vontade... De sermos mais. De ter um futuro melhor. De saber que o medo está abaixo do que somos mas é a coragem quem reina nas asas que poderão voar em nós. Aprendi... Ou vou aprendendo que o essencial está no espelho em que, todos os dias, olhamos para nós. No espelho do que somos. Do que queremos ser. O melhor de aprendermos a gostar de nós é o tempo. A idade. A maturidade. E vou aprendendo que todos os dias sou mais um bocadinho bonita. Que todos os dias saberá bem sair à rua. Com coragem. Com vontade... De não ter medo... Porque ter coragem é não ter medo. De seguir... De mexer as pernas. De abanar a árvore das vitórias...

segunda-feira, 20 de março de 2017

Extras

Pessoas com mais de um coração. Essas de encantos transparentes e tão profundos. Pessoas com mais amor no coração. Criando extras, de si mesmos, versões melhoradas dos sítios e coisas boas que nasceram em si. Que criam sorrisos. Daqueles que só se encontram quando somos livres e estamos libertos. Sorrisos que nos invadem e nos fazem ser também nós sorrisos de alguém. Bonitos, sedosos, quase tão suaves como a seda e quase tão fortes como os trovões. Daquelas pessoas, tenras, que resistem à tenacidade do tempo e à rouquidão dos dias. Que dão cabo das noites escuras e dos claros que nos tapam a visão. Existem pessoas com mais de um coração. Essas... que nos fazem ser também nós feitos de extras que nos elevam. Que nos fazem acreditar na grandeza que vive escondida no profundo e tão desejoso do que somos. Nos fazem agarrar e sobressair os mistérios que esperam tanto para serem desvendados. Há mistérios, vidas, pessoas, momentos que vivem e que criam corações há medida que o tempo lhes agarra as pernas e as liberta do que é viver sem levantar os pés do chão. Há pessoas que nos enlaçam. Acho que só essas, que vivem invisíveis aos olhos de quem não procura viver, conseguem ser extras de algo tão bom. Só essas conseguem fazer de nós extras de uma coisa mesmo. Ininterruptas. Inquebráveis. Seguras. Macias. Pesadas de amor e tão leves de amar.

Há pessoas assim. Com mais de um coração. Só delas me ocupo. Só delas vale a pena me ocupar.

sexta-feira, 17 de março de 2017


Bates-me à porta.
Sempre que a brisa atropela a madeira velha que agarra as janelas de casa. Sempre que as flores desabrocham um bocado mais. Sempre que os meus vestidos me iluminam as luzes que nem toda a gente vê.
Bates-me à porta:
Numa saudade que me afoga e me adorna com tudo o que tento esquecer ou lembrar-me. Devagarinho. Às vezes tão de força que custa conseguir arcar com o peso da verdade. (Serás mesmo tu?)
Bates-me à porta e entras.
Também tu adornada de amor e felicidade. Também tu linda e requintada sem precisares de adornos que te salvem. Também tu airosa e cheirosa de vida.
Bates-me à porta e entras:
É impossível não te sentir o abraço. (Como poderei saber sem vê-lo?) A saudade que nele vive. O ardor que é ter de pedir ao tempo para que a brisa te devolva à minha porta.

Sinto-te.

Bates-me à porta e estás comigo.
É impossível negar que não estás cá quando te sinto tanto. Quando as minhas veias carregam a força que o meu corpo transporta. Impossível negar o quão sinto saudades de a porta em que bates ser real. E que com ela, venhas tu.

Estás comigo.
Sei-o. Nunca deixaste de estar. E ambas sabemos que aqui não estás.
Amo-te. No maior amor que a vida e o sentimento podem carregar e sentir. Na maior altitude e no maior dos patamares que o amor por alguém pode ter, ser, sentir e construir.

Bates-me à porta e estás comigo:
Como posso negá-lo quando até os meus olhos acreditam que estás cá. Como alguém pode enganar a morte. Como a morte nos pode enganar a nós. Como é que ambas sabemos que ninguém pode enganar ninguém e ambas acreditamos estar aqui.

Estás comigo, repito. Fica comigo, peço. Volta para mim, já nem sei porquê. Porque nenhuma explicação chegará ao limiar do que é viver a tua falta com a presença omnipotente que me dás.
Sei que vivo num labirinto. A minha mente não mente. Mas algo mente por mim. A vontade (?), o desejo (?). O amor. Pela tua pele. Pelo teu sorriso. Pelas tuas gargalhadas. Pela tua coragem. Pela tua luta. Pelo olhar com que me olhavas. Nunca mais ninguém me pegou ao colo assim. Pela tua presença: feita de paz e esperança, feita de luz e bondade, feito de força e vontade. Pela tua dignidade. E que saudades tenho da integridade que tinhas. Da pessoa bonita que eras. E nem precisavas de falar. Toda a gente sabia, menos tu, que eras a mulher com mais força do mundo. Ninguém sabia, nem tu, que era eu a mulher com mais força do mundo a seguir a ti devido a ti.

Bates-me à porta. Do olhar, da esperança, da saudade, do coração.
Todos os dias te recebo e em nenhum dia me despeço de ti. Ambas sabemos que os labirintos nunca chegam ao fim. Ambas sabemos que foi por isso que os criámos.

Bates-me à porta. Faz de conta, para aqueles que não percebem, que são daquelas de madeira. Continua a chegar.

Eu nunca te deixarei ir.

quinta-feira, 16 de março de 2017

O tempo cabe dentro do tempo.
Para te dizer que tenho razão lembrei-me das horas em que somos felizes em segundos tão grandes que nos deram. Para te dizer que tenho razão lembra-te das vezes em que se espera tanto por alguém e passaram tão poucos segundos.

A vida é efémera. Mas lembra-te dos tempos em que aproveitas-te tanto os momentos e das vezes que adias-te ir embora.
A vida são dois dias. Mas vives tanto para acreditar nisso.

O tempo cabe dentro do tempo, acredita no que te digo. Nas viagens enormes que realizei nas pequenas horas de sono que tive.
No tempo em que fizeste de propósito para passar devagar e ela foi embora tão cedo.
Acho que entendes o que digo: mas ainda não tinhas tido tempo para pensar nisso. E já viste o tempo que tiveste?

O tempo é como a vida e a vida como o tempo: efémeros, preciosos e sedosos.
Às vezes precisas de mais tempo outras vezes precisas de mais vida... não te percas. Enfia-te no tempo se assim o for... rouba vida ao tempo se for preciso e fica com ela. Talvez a vida te faça crer que afinal é mais do que apenas dois dias... e no final de contas te apercebas que afinal foi tudo tão pouco.

Só de uma maneira se aproveita o tempo. Quando sabe a pouco.

Como a vida...

Até Já

A minha foto
Amor, saudade, dor, ausência, paixão...