quarta-feira, 18 de julho de 2012



Percorrias-me o corpo já desejoso de saudade. Sabias que não duraríamos para sempre. E, então, enquanto amavas o meu corpo e decoravas os lugares onde viviam as feridas em mim percorrias-me de uma maneira parecida ao modo de não querer dizer adeus quando tem que ser. Ficavas em mim. Mais do que estares dentro de mim, vasculhavas mesmo aquilo que nos meus sonhos eu sonhava e na esperança de te amar para sempre eu amava. Fazias-te meu e eu apercebia-me que no tempo todo que foste meu nunca foste mais nada do que ser para mim. Querias-me mais e sugavas-me tudo porque tinhas medo da hora do adeus. Do não conseguir viver sem mim. Do não saber que caminho a seguir sem as margens do meu corpo e a profundidade dos meus lábios nos teus. Do não conseguir fazer à saudade toda que perduraria em ti de mim. E, então, eu perdoava-te o fato de viveres para mim. O fato de às vezes não me ligares porque pensavas em mim e não ouvias. O fato de às vezes não chegares porque paraste no tempo a pensar como seria bom estares comigo na esplanada de café que paraste antes de te esqueceres que o teu caminho era a minha casa. O fato de me esqueceres de amar quando só o sabias fazer e, por isso, te perdias no teu próprio tempo cheio de mim. E, enquanto eu te perdoava por me amares ainda mais e tu resmungavas por eu deixar a torradeira ligada depois de comer as minhas torradas, continuavas a tentar ser mais meu como se isso ainda fosse possível. Os meus cd's, os meus livros, as minhas páginas soltas, os meus canais da tv preferidos, a minha cadeira da sala, as almofadas do meu quarto, as canetas que sem tinta permaneciam em cima da minha secretária porque sabiam a amores passados vividos em cima de tinta por soltar... Tudo isso já tinha o teu nome e nem tu sabias o que fazer para seres de tudo o que eu era e tinha. Nem tu sabias o que fazer quando sabias que o tempo acabava sem nos apercebemos quando isso era a nossa única certeza. Percorrias-me o corpo já desejoso de saudade e por mais que me soltasse de ti agarravas-me sempre. Acho que sempre foi isso o que mais gostei em ti. E o que hoje me faz mais falta. Obrigada amor que não conheci. Se alguém me soube um dia de cor, foste tu.

11 comentários:

  1. "E, então, enquanto amavas o meu corpo e decoravas os lugares onde viviam as feridas em mim percorrias-me de uma maneira parecida ao modo de não querer dizer adeus quando tem que ser." não sei dizer mais do que isto. não sei dizer melhor.

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  2. é sempre tão suave quando falam por nós.

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  3. Estas tuas palavras são sempre mágicas... E este amor é tão, mas tão, lindo!

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  4. exatamente..assim é o amor minha querida, o verdadeiro. aquela que nos deixa marca. para sempre!

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  5. Há sempre alguém que nos sabe de cor, que nos sabe os caminhos, que nos encontra quando já nem nós mesmos sabemos onde estamos. Como é bom ter alguém assim.

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  6. É pena é que já não valha de nada este Amor...

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  7. fico sem palavras quando leio os textos, a tua escrita é tão magnífica! e obrigada :')

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  8. o mesmo digo disto aqui, sempre adorável!

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  9. obrigada *.*

    E tu...? sem palavras, tão descritiva, tão intensa, tão tu! Maravilhosa :)

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  10. Não sei o que dizer, estou sem palavras, completamente. Adorei!

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