quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


Sinto a tua falta. Ao mesmo tempo que fecho os olhos para não conseguir ver que já não estás aqui sinto cada osso do meu corpo partir... Cada gota do meu sangue parar um bocadinho mais. Sinto a tua falta. Ao mesmo tempo que tento não me aperceber que já não dormes a meu lado o meu corpo esfria... As minhas mãos ficam vazias. Arrepiadas por saberem que já não existe o gesso que as emoldurava  O remédio que as curava. O calor que as enchia de fogo e as levava onde o resto do mundo não era capaz porque não tinha o seu amor. Ao mesmo tempo em que cubro os meus lábios para não sentir que o que é teu já não é meu sinto-os a desfazer-se a cada vez que descobrem o que é não existir por ti. O que é viver sem o teu amor. Ao mesmo tempo  que me tento fechar para não descobrir, mais uma vez, que nunca mais serás tu a adormecer os meus sonhos, sinto que de tudo o que sou sobra-me o que fui contigo. Os pedaços de memória que me engolem a vida por gostar tanto de ti. Se soubesses a falta que me fazes. O amor que aqui deixaste... Fecho os olhos, o corpo, os lábios, as mãos, a alma... Fecho aquilo que consigo na esperança de fechar a única coisa que ainda me resta de ti: a saudade que o teu amor me trás. A saudade de te ver olhar para dentro de mim. A saudade de te ver ser comigo aquilo que só os meus olhos tinham coragem de amar. Dizem que a saudade é a nossa alma a dizer para onde ela quer voltar e eu acredito. Dizem que o amor se transforma em saudade quando alguém vai morar para longe de nós e eu acredito. Dizem que o amor é saudade.  Acho que agora que me sinto tão sozinha mesmo quando estou apenas a sonhar acredito em tudo que mexa na ânsia que é querer voltar a ter-te para mim. Estar apaixonado é a sentença mais bonita do mundo... Mas arde quando se transforma em saudade. Dói quando tudo é apenas saudade.

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