domingo, 3 de fevereiro de 2013


Arde-me a pele porque me tocas. O corpo... Porque te sinto. E, por entre a bruma da saudade, sou o suor que transpira apenas amor. O calor que aquece porque só existe o que somos dentro dele. Arde-me a memória por me lembrar de ti. Por te querer tanto. Por efervescer de desejo quando é o teu corpo que a brisa transporta... Arde-me a alma. Pelos pensamentos obscenos que sinto quando são as tuas mãos que passeiam a eternidade do meu corpo. Ardem-me os lábios. Por cheios de amor quererem ser apenas teus. Por cheios de força lutarem para encontrarem o seu destino... que sempre foste tu. Ardem-me as mãos. Por de tanto te quererem encontrar não saibam mais de ti. Arde-me o mundo. Por onde vivo saciando o que existe porque me preenches os espaços onde tudo é vazio. E nada me arrefece. É tudo quente quando penso em ti. Quando te desejo. Quando te sinto. Quando penso. Quando sei que estás aqui. Quando és tu a minha própria pele. Arde-me tudo. A vida. A memória. O olhar. O pensamento.  A luta diária para sobreviver a este amor que me consome a energia que me dás. Que eu me dou. Mesmo estando tu aqui, mesmo não estando... É igual. Sou tua da mesma forma. Não importa quantos corpos passem, quantos tempos vivam...  É em ti que o meu corpo adormece. É em ti que tudo o que sou vive. Acorda. Chora. Ri. Sentindo ou não. É que não importa, também, se o dia corre bem ou mal. Não importa se existem dias em que não pense ou não tenha memória nem pensamentos. É em ti que tudo acaba mesmo já tendo acabado tudo de ti. Mesmo eu já ter consumido tudo o que um dia me deste. Tudo o que um dia eu alimentei de ti. Não importa se hoje chove, se hoje faz sol, porque no final o céu por detrás de tudo tem o teu nome escrito sobre mim. Sobre as lágrimas que caem em mim por não saber se é felicidade ou angústia aquilo que sinto por ti. É contigo que sonho. Contigo que escrevo. Contigo que conto. Contigo que o meu coração voa. A única pessoa por quem o meu coração ainda voa mesmo não tendo asas para voar. Arde-me tudo. Mesmo não vendo, estando cega, estando surda, sem perceção ao toque, arde-me o corpo todo só de pensar nas vezes em que nos amamos e nas vezes em que nos poderíamos amar agora. Neste momento. Em que ardo. Como tantas outras vezes em que me cortaram as asas mas eu continuei voando... Eu não quero saber se te ardo. Porque se souber sei que irei cair nos teus braços de novo e arderei ainda mais por saber que o nosso momento chegou ao fim. Que eu cheguei ao fim quanto a ti. Que eu não me consigo dar mais... Que eu não tenho mais para te dar. É que por mais ridícula que a vida seja neste momento choro por ti na mesma medida com que me ardes com a certeza de que o meu amor por ti só pode voar nas letras da minha escrita. Nas entrelinhas onde só poucos conseguem pousar. Onde apenas um ínfima parte do mundo consegue entender para ficar. É que me arde tudo... Sinto tanto amor por ti que ainda me arde tudo...

2 comentários:

  1. fiquei colada ao texto,desde as primeiras palavras. está simplesmente deslumbrante marianinha

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  2. que bonita, Mariana :) és tão bonita como as tuas palavras, sabias?

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Amor, saudade, dor, ausência, paixão...