segunda-feira, 30 de junho de 2014

Como será? Caiu a noite... Raiando o sol em toda a cidade de negro se vestiu a minha pele. O meu coração. Todos os recantos que de tão teus moravam em mim. Ardiam as flores pelo calor do amanhecer ao mesmo tempo que me ardia o amor que ficou por viver pela escuridão que anunciou a tua morte. A despedida do teu sorriso, esse que era o maior dos maiores brilhos que qualquer estrela possa algum dia projetar. Ardiam as flores e corriam os passarinhos mas era a tristeza que afogava todas as esperanças de que o força do meu amor reunia para me fazer acreditar que viverias. Que todos os dias, para o resto da vida, poderia olhar para ti. Que todas as noites poderia despedir-me de ti.... Que todas as manhãs poderia voltar a abraçar-me a ti. Caiu a noite... Enquanto era dia. Caiu a chuva, que de tão feroz plantou as minhas lágrimas... Caiu a noite no meu coração quando o teu deixou de viver. Como será? Como será viver o resto da vida sem ti? Como é que é possível existir dor tão forte que nem de dor a consigamos chamar? Que nem loucura nem raiva nem choro pode explicar. Caiu a noite mas lá fora todas as borboletas continuam a voar... Como será? Pergunto-me agora que não consigo amarrar a tua mão... Ardem as flores mas em mim só o coração. Mas em mim só a dor de nem saber cuidar desta dor. De nem saber que não existe cura para as noites que caem quando é o sol que brilha lá fora. Hoje era para dizer que te amo muito Mulher da minha vida. Dizer que só a saudade me faz cuidar do escuro que às vezes mora em mim e para te pedir, onde quer que estejas, que brilhes sempre por mim. Por nós. Como será.... Ainda não sei. Pergunto-me todos os dias da minha vida. Como será.... Para o resto da vida. Amo-te Mãe.

1 comentário:

  1. Como será? Pergunto-me agora que não consigo amarrar a tua mão... Ardem as flores mas em mim só o coração. Mas em mim só a dor de nem saber cuidar desta dor." - perfeito.

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