segunda-feira, 25 de maio de 2015

Empurra-te

A vida é feita de entregas. Daquilo que te dás a ti. Do que consegues dar aos outros. E do que deles consegues receber. Saber, na medida exacta, que se dermos aquilo que o nosso coração pede, tantas vezes em silêncio, conseguimos chegar aos lugares que nos pertencem. Por mais que a vida pareça que não queira viver ali. Por menos coragem que os nossos pulmões gritem. A vida é feita dos empurrões que impomos a nós próprios. Do fogo que queremos que arda. Do chuva que desejamos que refresque. E não que apenas nos molhe. Feita do que deixamos entrar. No nosso casulo. Nas nossas emoções. Do que deixamos sair. Das emoções que nos trituram o coração. Feita do que permitimos alcançar. Do tamanho do amor que cresce dentro de nós. Entregar-mo-nos trará sempre vantagens. Por mais que o final seja infeliz. Porque seremos sempre mais paz. Mais livres. Mais nós. Mais o que somos... Porque só quando o nosso coração está em paz conseguimos viver. No expoente. Na exponencial que é sairmos à rua com o coração cheio. Mesmo que seja cheio apenas do nosso amor. Que é infinito. Que é o que de melhor a vida pode incumbir quando somos entregas. Quando somos chegadas. Quando nos apercebemos que somos mais no coração daqueles que nos amam. Uma das tarefas incumbidas no ato de nos darmos. À vida. Aos amigos. À família. Ao nosso segundo par de mãos. Ao nosso segundo coração. A quem nos permite que sejamos a borboleta que necessita de voar. A borboleta de asas leves que colora todos os bocadinhos por onde passa. Àqueles que nunca deixam com que sejamos apenas mais um corpo a passar pelo seu caminho. A quem passa na rua e nos sorri.  
A vida é feita de entregas. Daquelas em que te dás. Mas que ao mesmo tempo soltas. Da entrega do passado que já não faz falta. Do lixo que incomoda as nossas prateleiras. Da oferta do que conseguimos dar aos outros. Porque o que enviamos volta também. Porque quando somos borboletas na vida somos borboletas em todo o resto. Em todas as esperanças que alimentamos. Em todos os amores que pertençamos.
A vida é feita de entregas. Por isso, nunca tenhas medo de ser uma borboleta. 
À asas invisíveis que nos fazem voar. Vidas que nos fazem renascer. Entregas que mudam o rumo que poderíamos tomar.
Não te esqueças. Empurra-te. Ganha asas. Às vezes são os empurrões que nos atiram para a melhor das caminhadas...
A vida é só uma quando vivemos por viver.

6 comentários:

  1. Fiquei até sem fôlego após mergulho tão delicioso em leitura tão cativante. Nem sei o que vida é, mas sei que tem muito a ver com o que aprendi e apreendi dessa leitura.
    Cadinho RoCo

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  2. A vida é feita de tudo isso que escreveste, é mesmo para ser vivida e não para ser vista passar. Enfim quando nos forçamos a ver tudo o que existe por aí de bom para viver é que conseguimos ser verdadeiramente felizes

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  3. Vivemos em proporção daquilo que entregamos. Não nos podemos fechar no nosso casulo, mas abrir asas e voar. Só quando nos aprendemos a dar à vida é que percebemos as coisas maravilhosas que ela nos tem para oferecer!
    Texto fantástico, como não podia deixar de ser.

    r: Sentimos sempre aquela água fria quando entramos, mas depois do nosso corpo se habituar não queremos ir embora :p
    Adoro tirar fotos e dói-me sempre a alma quando não o posso fazer em determinados lugares. Quando entrei no Centro de Interpretação e perguntei se podia e a senhora respondeu «as que quiser» quase que saltei de alegria :D

    Beijinhos*

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  4. Fôssemos todos borboletas sem medo de voar. De viver!

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  5. Nao podemos nunca que os nossos sonhos se percam com as asas, e o nosso amor a vida que nos faz voar.

    Mais uma vez identifiquei me com as tuas palavras fantasticas, Mariana. :)

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  6. No fim tudo se resume a isto: ou te acomodas correndo o risco de viver frustrada e infeliz, ou arriscas, lutas, superas-te em busca da felicidade :)

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