terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Transformaste a minha vida em saudade. Se hoje quisesse dizer numa palavra o que a tua morte fez à minha vida  essa seria saudade. Ou se quisesse dizer ao mundo o porquê diria apenas porque sim. Ou se quisesse contar à vida talvez lhe dissesse apenas nada; porque a própria levou-te de mim e não bateu no meu olhar para me avisar que o tempo estava a acabar. Ou se quisesse contar aos meus segredos chorava apenas e ao meu coração sorria. Transformaste a minha vida em saudade porque fugiste para onde não te posso encontrar nem te abraçar. E se hoje quisesse contar ao vento o porquê dessa palavra perguntaria-lhe apenas porque leva coisas que não voltam; e ao sol dizia-lhe porque não foi ele capaz de te fazer brilhar ainda mais; e à lua cantava-lhe o teu nome, de certeza que se iria lembrar das noites em que cantei para ti no silêncio do nosso olhar. A tua morte trouxe a saudade. E à saudade juntaram-se os primeiros frios, os primeiros desejos, as primeiras interrogações, as primeiras vontades; a primeira dor da saudade. A primeira fase da perda de alguém como tu. À saudade juntou-se o mundo todo, juntou-se a imagem do teu sorriso, o nó que enrola a garganta e a desfaz por desejar tanto alguém ressurgir na vida, a primeira vontade de te abraçar, o grito de não te poder chamar. À saudade juntou-se tudo. Todas as músicas, todas as pessoas, todos os lugares, todos os sorrisos, todos os luares. Com a saudade nasceste em mim depois de teres morrido para a vida e me deixares quando eu ainda era uma menina e tu quem me fazia. Mas com a saudade cresceram também as lágrimas, os apertos, a raiva e a dor que, por ser tudo e estar em tanta coisa, me conquistou um lugar no coração. Perto do espaço ferido pela tua partida. Perto do rasgo tão fundo que vive dentro de mim por não te ter. Se hoje ainda estivesses aqui amava-te ainda mais, mesmo não sabendo se isso era possível. Mas amava-te ainda mais. Beijava-te ainda mais. Abraçava-te ainda mais. Dizia o quanto te amava cada dia mais ainda mais. Adormecia contigo todos os dias ainda mais. Dava-te todos os dias um novo mundo, porque o merecias, ainda mais. E talvez te perguntasse coisas sobre os rapazes. Coisas de meninas. Sobre como pôr maquilhagem. Ou como crescer sem mamã. Como conseguir aguentar a dor de se perder alguém assim tão jovem como tu. E como iria eu lidar com o mundo depois de teres abandonado a sua terra. Como responderia ao porquê de teres sido tu e de me teres escapado a mim. Como aguentaria a raiva e como conseguir não culpar ninguém. Escrevia um livro com as tuas palavras e reunia todos os teus sorrisos numa cassete para depois poder matar a saudade que me iria consumir. Mesmo que não a matasse toda... Que matasse a saudade do meu olhar. Que matasse um bocadinho da dor de não te poder tocar. Um bocadinho da dor de não te poder sentir nem cheirar. Um bocadinho da dor de ter ficado sem ti. Transformas-te, verdadeiramente, a minha vida toda em saudade no que diz respeito a ti... E depois de tudo, se quisesse dizer-te a ti o porquê diria-te apenas que preciso de ti assim como respiro, e que se calhar precisava de ti um bocadinho mais. Secalhar diria-te apenas isso. Não teria coragem de dizer mais... porque o meu corpo já estava colado ao teu. e ninguém mais me tiraria de ti

6 comentários:

  1. está intenso, e repleto de saudade. não consigo imaginar o que será, mas sei que és forte, e que o tens mostrado por estes textos, repletos de amor, de ternura, e claro, de saudade. ela sabe que a amas, sempre, um bocadinho mais, todos os dias. e sabe que vai ser assim até ao fim <3

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  2. saudade e muito amor, como sempre. adoro ler-te.

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  3. "E se hoje quisesse contar ao vento o porquê dessa palavra perguntaria-lhe apenas porque leva coisas que não voltam; e ao sol dizia-lhe porque não foi ele capaz de te fazer brilhar ainda mais; e à lua cantava-lhe o teu nome, de certeza que se iria lembrar das noites em que cantei para ti no silêncio do nosso olhar. " esta incrivelmente fantástico, nota-se, deixaste presente a tua força nestas palavras. porque a tens, muita até, acredita. um dia ainda vou ler um livro teu.

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  4. Só tenho que agradecer essa bondade, esse carinho. Tenho muito que agradecer essas palavras doces e reconfortantes. Desejo-te o mesmo

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  5. Juro-te, que senti cada palavra que senti com todo o coração. Cada palavra um sentimento; uma saudade, uma saudade interna que nem o tempo levará. Tem força, vive um dia de cada vez. não sei que te diga, porque nada será suficiente para acalmar a tua dor.
    Sê tudo o que ela gostaria que fosses, és uma pessoa forte e espero que a cada dia te tornes mais para suportar toda essa saudades.
    és fantástica! beijo repleto de carinho!

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  6. de nada mariana, é tudo tudo muito verdade. um beijinho

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