domingo, 6 de maio de 2012

O dia da Mãe, para todos os que sabem o que é amar alguém com todas as forças que existem na vida

Naquele instante senti a dor que todos sentem quando perdem alguém que amam. Mas não sei o que aconteceu: não fui abaixo, não me senti perdida, não chorei numa tristeza eterna dias a fio. Naquele instante, ao ouvir da boca do mundo, que fiquei sem ti, senti a dor que todos sentem quando ainda é cedo para o adeus que não deveria existir na vida. O adeus a alguém que nos deu a vida, o adeus a alguém que nos criou o sorriso, o adeus a alguém que ainda não plantou todas as lições e os ensinamentos que uma figura maternal pode incutir a seus filhos. Naquele instante, nos meus onze anos de idade, no fim da tarde, quando chegaram a casa e olharam para mim, sem ti, sem a tua beleza por perto, sem o cheirinho do teu abraço e o perfume dos teus sonhos a rondar a entrada, soube que te perdi e senti o que as pessoas sentem quando sabem que perderam alguém que era como uma semente de amor, carinho e esperança nas suas vidas. Mas, sem te saber dizer porquê, ou talvez até tendo algumas probabilidades de resposta, não senti o que sinto passado sete anos da tua partida. Onze anos tinha quando te foste embora, onze anos tinha quando era uma criança que perdeu a sua mãe, onze anos tinha quando tive que aprender a lidar com os olhares de pena que passavam na rua, as conversas da aldeia e a lição de ter de sorrir quando o que queria era gritar a tua ausência perdida em mim, onze anos tinha, doze anos tinha, treze anos tinha, quatorze anos tinha, quinze anos tinha, dezasseis anos tinha, dezassete anos tinha, quando sempre chorei a tua morte sozinha. E, agora, com dezoito anos feitos, ainda a choro. Sozinha. Na esperança de que todos os dias apareça uma chama que te traga de volta ou que leve de mim estes desespero de não te poder ter. Ao todo, e não sabendo bem o porquê ou tendo até alguma ideia, talvez porque era apenas uma criança que viu o seu mundo virar ao contrário numa sucessão de acontecimentos que geraram a tua morte, sofro mais hoje do que no dia em que te perdi. Sofro sempre mais, e cada vez mais em silêncio, a dor que senti no dia em que te perdi. Não sei se é porque ainda não me consegui despedir realmente de ti, como alguns dizem sobre outras histórias, ou se é assim que terá de ser porque te tiraram de mim antes de obter tudo o que tinha que tirar de ti, ou se é porque sinto falta de um amor como o teu. Não sei se é por causa que, desde a tua morte, ainda não senti que alguém me amasse como tu me amavas e sinta que ninguém, ao redor do mundo, o conseguirá fazer porque eras só tu a minha mãe. Não sei se é por ter raiva de não te ter dado mais do que te dei, se é porque desde que partiste o meu coração viveu, para sempre, metade do que era. Não sei se é por ter perdido a minha família, por me ter separado dela, por não ter dado o que ela merecia de mim o tempo inteiro. Não sei se sofro assim, cada vez mais, desenfreadamente cada vez mais, intensa e loucamente cada vez mais, por não me ter despedido de ti como tu merecias ou por, há medida que vou crescendo, me  aperceba que viveste sem nós os últimos tempos da tua vida, porque te prenderam a uma cama de hospital, se é porque penso na dor que viveste ao saber que nos ias deixar e que vias a morte deitada contigo, que sofro cada vez mais. Não sei se é por isto, se é por aquilo, se é por tudo isto que todos os dias deixo uma lágrima por ti mas quero que saibas que, apesar de toda a dor ser enorme em mim quando me lembram de ti, sou feliz por teres sido, durante onze anos, o meu caminho a seguir e a minha fonte de sonhos, de inspiração e felicidade. Quero que saibas que, apesar de toda a dor que aguento e carrego na pele subjacente à tua partida, guardo o amor e o carinho que me deste quando o teu corpo ganhava vida sempre que acordavas para viveres por nós. Que, apesar de sofrer, sou muito feliz quando me lembro de tudo o que vivemos juntas, de todos os momentos que tu, as manas, o pai e eu vivemos quando éramos todos um só em dias em que o sol raiava e a chuva era a esperança de que dias cinzentos também podiam ser coloridos como tu. Que, apesar da saudade que me consome o coração, ainda sou a criança que era feliz por teres sido tua a sua mãe, a sua heroína, o seu conto de fadas, porque o foste. Porque o foste minha Mãe. Porque o és todos os dias minha Mãe. Porque o és hoje neste dia que é teu. Sei que são muitas as letras que te deixo mas por é por seres o que mais desejo e amo que tenho que comunicar contigo. Que tenho que te dizer o que és para mim e o porquê de me poderes ver triste em dias sem razão aparente. Sei que são muitas as letras que te deixo ao passar dos dias, dos anos, mas é a única maneira que tenho de sentir que estou verdadeiramente contigo. A única maneira de ter ver, aqui, sentada do meu lado, a abraçar todas as frases e esboçar com todos os sonhos na tua voz que não me deixarás sozinha e que não faz mal sofrer por alguém que se amou tanto como eu te amei a ti. Que não faz mal ser assim como eu, ter o coração em todas as pontas da alma e a saudade a viver em todos os poros da pele. Hoje, neste dia que é dedicado a ti, deixei-te um livro de páginas abertas para leres quando estiver a dormir e a sonhar contigo. Enquanto estiver a dormir e tu a sonhares comigo. Mamã, a verdade é que a dor aumenta e o tempo não ampara a sua intensidade. A verdade é que, naquele instante, não senti nem um terço da dor que sinto, hoje, por te ter perdido. O tempo não conta, os anos passam como donos do tempo e eu sinto a tua falta cada vez, desmesuradamente e intrinsecamente, mais. Sei que este dia é dedicado a ti e, por isso, sorrio por teres sido a melhor Mãe do mundo. Sei que este dia é teu e meu também. Que este dia é nosso, como todos serão até ao dia em que me junto, de novo, a ti. Onde alcançarei o céu, onde viverei a paz, onde serei sempre, todos os dias, um bocadão sempre mais feliz. Um Até Já Mãe. Um Até Sempre minha Luz.

8 comentários:

  1. Estou a chorar feita uma perdida. E só me apetece abraçar-te. (como se isso resolvesse alguma coisa) És tão linda Mariana.

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  2. "Sei que este dia é teu e meu também." está lindo. és uma menina cheia de força, irradias magia.

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  3. As palavras de nada servem..é o que sinto enquanto estou a escrever-te. Não servem de nada porque a dor que tu sentes não pode cessar...Ainda assim, muita força*

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  4. "Não sei se é por ter raiva de não te ter dado mais do que te dei, se é porque desde que partiste o meu coração viveu, para sempre, metade do que era." está marcante mariana,tens muita força em ti

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  5. obrigado pela força que me deste com aquelas palavras. significam muito para mim, e dão-me muita confiança! fico muito contente que tenhas gostado, e espero agora conseguir manter-me ao nível das expectativas :)
    este texto está simplesmente sublime. a tua escrita é fenomenal e bastante expressiva, consegues expressar-te de uma forma bastante natural. está óptimo! passarei por aqui muitas mais vezes, sem dúvidas

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  6. mostrará, espero eu. e tu continua a brilhar, Mariana linda.

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Até Já

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