quinta-feira, 30 de abril de 2015

Maria. Para todos aqueles que desejavam estar nos braços de quem já foi seu.

É do teu sorriso que eu tenho saudade. Do barulho do teu sorriso. O barulho mais bonito da minha vida, agora que me lembro. Da maneira como punhas toda a gente a sorrir, até a mim com as tuas invenções e histórias. Lembro-me tão bem que agora sinto tanta falta. Da falta de ser teu. Do abraço que me davas que me enchia as medidas. Eu que era suposto ser o mais forte... Não. Eras tu quem fazia a minha força. Quem arrebatava com as minhas forças. Sinto saudade tuas, Maria. Como é que fui capaz de te deixar escapar... É o que sinto, agora que sinto que o teu lugar ocupava muito mais do que eu imaginava. Tive sorte contigo. Mas não me apercebi. Porque não fui quando devia ter sido todas as vezes. Porque agora sei que devia ter sido de todas as vezes. Mesmo quando estava irritado com o mundo. Tu eras a minha flor. A quem eu devia o meu sorriso mesmo que estivesse mais enterrado que uma raiz de um carvalho. Sinto-me vazio. Com inveja da cama que te tem. Que deve ser tão mais quente que este frio espaço que agora encontro. Maria. Volta para a minha vida. Desculpa ter deixado que fugisses. Não te ter dado o meu amor como devia. Teres sentido que não era o suficiente para ti. Tu eras o meu encanto. Quem soletrava as minhas letras quando precisava de silêncio. Quem me acolhia quando me sentia doente. Da vida. Quem curava as expectativas altas que às vezes possuía. Onde estarás agora, Maria. Espero que feliz. A ser dona da tua vida como sempre foste. Senhora do teu nariz. Dona das verdades... O que me custava sempre admitir. Onde estarás agora, Maria. Até do teu nome sinto falta de soletrar. Das vezes em que esperava por ti quando decidias que estavas pronta mas afinal ainda te faltava secar o cabelo. Porque nunca saías de casa sem secar o cabelo. Se estivesses agora aqui comigo dizia-te o quão gostava de te ver com o cabelo molhado. A esvair-se com o vento. A quebrar todas as barreiras que o cabelo seco não aguentava. Maria. Estás feliz? Desculpa não estar a ser o teu homem agora. Quem te cobre quando adormeces a ler o teu livro. Quem te acorda quando o despertador decide não tocar. Lembro-me tantas vezes das vezes que isso te acontecia. Da maneira como ficavas fula com ele. E da maneira como no minuto a seguir teres adorado dormir aqueles minutos ou horas a mais. Tu gostavas tanto de dormir. No quentinho. Às vezes até soavas, lembras-te? Mas tu gostavas. E ainda te chegavas mais para a forma do meu corpo. Lembro-me que nessa altura queria era o fresco. Maria... Se fosse agora ardia por ti. Maria... Se fosse agora nunca tinha saído do nosso ninho. Estará ele da mesma maneira? Lembrar-te-ás que ele ainda poderá ser quente? O mundo deu-me tanta coisa. Mas deixei escapar quem me deixava vivê-lo. Intensamente. Quem valia a pena sair até do que sou. Só para te ver feliz. Só para te ver verdadeiramente feliz. Desculpa não to ter feito sempre. Hoje espero que, onde quer que estejas, com quem quer que estejas, te sintas abraçada. E que já tenhas escrito o teu livro. Os teus livros. Que o teu nome seja percorrido pelo mundo. Que as tuas palavras voem sobre todos os corações que te conseguirem ouvir. Sei que esse era o teu sonho. A tua paixão. Será que escreves sobre mim? Oxalá apareça nas tuas histórias. Oxalá a vida me permitisse voltar de novo à tua. Oxalá um dia encontrasses esta carta... Agora que não sei qual é o teu destino. Maria. Como podes ser tão bonita. Oxalá ninguém cometa o meu erro. Oxalá estejas nas mãos de alguém que te ame. 
Com amor, de mim. Do amor que te deixou fugir... Onde estás Maria?

13 comentários:

  1. Assim se escreve amor! Lindo *.*

    r: Dá-nos uma liberdade incrível, além de que nos permite recordar momentos que nos enchem o coração e viajar sem sair do sítio.
    Muito obrigada*

    ResponderEliminar
  2. O problema é mesmo este, há demasiadas pessoas que têm ao seu lado quem sempre desejaram mas não as vêem e só quando elas se fazem sentir pela falta que fazem é que se apercebem do erro que cometeram... mas nessa altura? Oh, nessa altura já é muito tarde.

    ResponderEliminar
  3. Wow :o
    tu escreves mesmo muito bem, mas que brutal mesmo! :o
    Vou seguir, fiquei adorar! :)

    ResponderEliminar
  4. r: é claro que gostei, esta incrível mesmo! Já li alguns e a minha opinião ainda não mudou! :)
    sim querida, vou pôr o meu blogue em privado para poder escrever à vontade sem ter algumas pessoas do meu passado a ler. Se quiseres continuar a seguir, deixas-me o teu e-mail num comentário à parte e eu não aceito!

    ResponderEliminar
  5. r: É mesmo. E precisamos dessa libertação para nos sentir bem com nós próprios!

    ResponderEliminar
  6. Talvez essa Maria já não volte para a vida dele. Mas decerto ele aprendeu a não abrir mão de mais Maria alguma.

    ResponderEliminar
  7. Este texto bateu cá dentro de uma maneira extraordinária, talvez porque me chamo Maria e senti-o com todo o seu poder e emoção :)

    ResponderEliminar
  8. Por vezes não damos valor àqueles que temos connosco. Às Marias das nossas vidas, que lhes dão cor sem que nos apercebamos disso. E só percebemos o quanto falhámos quando as vemos a embarcar nesse percurso no qual não nos é permitido entrar, desaparecendo nessa neblina que antes nos cegara. Mas quando aprendemos uma lição com essas perdas, não se pode dizer que tenhamos perdido tudo.

    ResponderEliminar
  9. Obrigada, agradeço-te por tudo sim? Tu sabes :)
    E não te vou deixar fugir a ti. Fizeste-me voltar e agora não saio daqui.
    Adoro-te pequena :D

    ResponderEliminar
  10. És tão querida, Mariana! Obrigada pelo carinho de sempre. Beijinho grande <3

    ResponderEliminar