terça-feira, 7 de abril de 2015

Somos mulheres e, por isso, no mesmo dia tanto nos sentimos a mais bela das mulheres como a pior delas todas. Falo por mim que toda a mulher é um segredo. Que todas as suas paixões e loucuras tem a peculiaridade de serem ou demasiadamente fortes ou grandiosamente pequenas. Que todos os seus pensamentos são únicos. Que o coração, esse que vive intensamente no corpo de alguém como nós, é a nossa maior fala. A nossa maior vontade. O nosso maior impulso para darmos um passo em frente. Somos complicadas, mas é simples (para nós) sermos assim. Porque quem vive com o coração na boca não podia viver eternamente na maresia do vento. Quem vive com o coração na boca só pode alcançar uma vida melhor. E nós somos assim. Eu sou. Uma mulher feliz. Talvez porque acredito que mesmo falhando consigo ser melhor. Porque mesmo sabendo que às vezes não dou o melhor de mim há uma versão de mim ainda melhor que está por nascer. E é nisso que estamos em vantagem: sermos capazes de renascer todos os dias. Sermos capazes de perceber que não temos de estar sempre no nosso melhor. Que podemos ser feias. Que podemos ser bonitas. Que podemos ser magras. Que podemos ser gordas. E que não tem mal. Porque temos valor. E é isso que tento impor na vida de todas aquelas que são mulheres, assim como eu. Que nascemos para agarrarmos o que nos foi dado, para rirmos um bocadinho mais, para espevitar os sorrisos daqueles que se sentam do nosso lado. Somos guerreiras. Capazes de suportar níveis de dor que deveriam ser proibidos de sentir. Capazes de amar ainda mais. De perdoar. De seguir em frente. De procurar alguém melhor quando assim for preciso ou manter a liberdade. Desde que seja a nossa escolha. Desde que nos deixe em paz (mesmo que sejamos tudo menos isso). Somos o ser mais apaixonante da Terra por isso mesmo: por sermos tempestade e serenidade no mesmo corpo. Porque sermos o furacão que arrebata os demónios do mundo e o calma que aquece os corações de quem mais precisa. Às vezes nós mesmas até. Somos o nosso maior conforto. Às vezes a nossa pior desgraça porque teimamos em nos deitar abaixo quando o mundo está virado de costas para nós (ou é isso que sentimos). Somos uma antítese. Um contraste bom de se viver. E não há nada melhor que sermos um segredo. Nada melhor que sermos desvendadas por aqueles que percebem que somos fortes. Que ninguém nos pode pisar... A não ser nós mesmas. Que somos flores. Às vezes espinhos. Que somos o segredo mais bem guardado mas quando apaixonadas somos o maior livro aberto. Que não temos medo de expor o que somos: porque só assim somos livres de amar alguém. Às vezes gostava que toda nós entendêssemos isto. Vivemos para sermos o melhor de nós. Falo por mim que toda a mulher é um livro de que deveria ser folheado pelo mundo inteiro. Porque temos camadas sobre camadas de histórias e amores e pensamentos que metade do mundo não conhece. Que os nossos olhos são uma arca de memórias. Que somos capazes de não esquecer mas de perdoar. E não há nada melhor do que isso. Somos uma luta bem travada. Um furacão bem vincado. Uma alma voadora... Um coração que ocupa tudo o que somos. Quem me dera que metade de nós percebesse a guerreira que cada uma é... Será que percebes?

3 comentários:

  1. Eu percebo :) acho que todas nós somos complicadas, complexas e temos múltiplas personalidades muito únicas dentro de nós. Somos várias mulheres numa só: somos a mulher confiante, a mulher sem amor-próprio, a mulher sedutora, a mulher desleixada... Somos tantas numa só que às vezes é difícil gerir tudo o que cada uma das mulheres que habita em nós sente. Mas isso só faz de nós mais fortes, mais diferentes, mais únicas :) temos de nos saber amar independentemente da personalidade com que acordamos :)

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  2. Este texto está uma verdadeira ode à mulher. Maravilhoso! Posso partilhar no meu blogue? (Com os devidos créditos, claro!!)

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  3. Excelente descrição daquilo que é ser mulher. Adorei o texto!

    r: Parece que é a única maneira que conhecem de viver. Sim, sem dúvida, é preciso seguir em frente e lutar contra aquele tipo de cansaço.

    Muito obrigada pelo comentário, volta quando quiseres. Serás sempre bem-vinda*

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